Ao receber a seguinte pergunta: "Você sente uma crise de meia-idade nas bandas que produz? Do tipo "quero mudar radicalmente"?"
Bonadio deu a seguinte resposta usando a Fresno como exemplo...
"Sim, em algumas bandas. O Fresno acabou de ter isso e acabou de se foder. No ano passado, os caras entraram aqui falando: "A gente é roqueiro! A gente quer fazer música pesada". Respondi: "Jura? Com essa sua franja aí?" (risos). Eu gravei os caras, mas nessa última (o disco Revanche, de 2010) deu na trave. E eles vieram falar que não queriam mais gravar comigo e respondi que eu também não. Fico triste, porque eles são talentosos, mas ouvem demais a opinião de fora. O talento dos caras é fazer canções românticas, não rock pesado."
Minha sincera opinião?
O Rick mudou a Fresno completamente para fazer o Redenção, e a Fresno aceitou isso a princípio, porem, quando foram produzir o Revanche eles perceberam o quanto tinham se "maquiado" para o sucesso, e que não era esse som que eles queriam. O Redenção tem sim músicas maravilhosas, mas convenhamos: A Fresno se vendeu totalmente pro Bonadio.
O Bonadio maquia as bandas para serem POP e fazerem sucessos com ritmos polifônicos, e a Fresno quis fugir disso e conseguiu, o que deve ter deixado o Rick revoltado.
O Rick perdeu em 2010-2011 duas enormes bandas que ele mantinha na "Banda Bonadio", o CPM 22 (Em que houve uma briga feia entre ambos. Dizem que a música Abominável do disco "Depois de Um Longo Inverno" ´foi escrita para o Bonadio.) e perdeu também a Fresno (que em vendas de discos era uma grande potencia na mão de Bonadio).
Acho que não é motivo para odiar o Bonadio (porém eu o odeio por outros vario motivos, como por exemplo, por ser um capitalista vigarista que só estraga a música brasileira). Se tu gosta do trabalho do cara, e acha que o que ele disse está certo, fique a vontade, música nada mais é do que uma questão de gosto.
Deixo aqui pra vocês a entrevista da Fresno para a Rolling Stone, onde Lucas diz a respeito de Bonadio, e essa entrevista explica o termo "Banda Bonadio" que usei ali em cima:
"Dia desses", começa Lucas, "chegou um cara no supermercado perguntando se eu era irmão de um músico. Eu disse que sim. 'Legal a banda do seu irmão, como é o nome mesmo? Restart?'" Em tom de deboche, Lucas é taxativo: "Na cabeça do grosso da população, existe a 'banda Bonadio', uma grande banda de 50 pessoas". A confusão também não desperta bons sentimentos em Tavares. "Porra, eu não faço coraçãozinho [com as mãos], não mando beijo pra ninguém. No microfone, não chamo ninguém de meu amor. Vá se foder! Não sou do Restart: tenho 28 anos e sou grisalho!"Não vem apenas da falta de conhecimento do público essa "crise de identidade": quando assinou contrato com Rick Bonadio para gravar o álbum Redenção, em 2008, o Fresno assumiu decisões que colaboraram para o crescimento do preconceito e ajudaram a marcar a fogo um rótulo que jamais vem desacompanhado de um sorriso irônico de seus detratores: o de "banda emo". ComRedenção, o grupo, que já tinha três outros álbuns na bagagem e uma sólida base de fãs no underground, se viu arremessado ao mainstream com três singles românticos consecutivos tocando em rádios - "Uma Música", "Alguém Que Te Faz Sorrir" e "Desde Quando Você Se Foi". Escapar da pecha de "apenas mais uma banda como as outras" começou para o quarteto como uma tarefa quase impossível. Mesmo que essas letras - de cunho sentimental e confessional, compostas pela mente ágil e inquieta de Lucas Silveira - fujam à rima fácil da média de artistas brasileiros, a banda que antes surfava o hype do mundo alternativo se viu alvo fatal do ódio dos roqueiros - talvez os mesmos de quem hoje o Fresno almeja respeito.
"Tem uma coisa que é normal: tu se impressionar com o sucesso que uma música pode fazer. E tu querer repetir aquilo", reflete Lucas, parecendo desconfortável na cadeira. "É a coisa do deslumbre. Tu acha aquele sucesso tão legal que esquece que talvez aquela música não tenha muito a ver, que aquele não era o single que tu queria. Um ano depois, vê o resultado e a galera no show reclamando que tem gente pulando. Teve um show em que gritei 'Vamo quebrar tudo!', e vi a cara [de reprovação] de uma menina na frente. Então vai se foder, vai pro fundo! Ou fica em casa!"

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